Archive for abril \19\-03:00 2008

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A quem levou a inspiração…

abril 19, 2008

Sinto-me presa em pensamentos infinitos, em ilusões já desiludidas e em súbitos sentimentos. Se antes poderia contar com uma simples habilidade pra desviar minha carência, o desapego ao hábito me fez retroceder. A vontade em excesso me tomou pelos braços e me levou a esquecer que a vida continuava. Passei a conflituar idéias e a me habitar a maior parte do tempo. Tentei ser o que eu queria e pressinto que consegui, mas não sei mais me dividir. Estou parada em mim, estagnada no meu eu como se fosse impossível andar sem o meu escape funcionando… Passava pro papel o que costumava me prender, comentava sobre o que achava incerto e via a diante antes de qualquer um. Agora olho apenas o meu interior e tento me interpretar a maior parte do tempo. Penso no que mudou, em que parte me perdi no labirinto que criei. Não consigo falar do que deveria, nem esquecer o que queria. Continuo sendo a mesma, mas sem qualquer solução pra quem escondo. Vejo, sinto e ainda assim não transpareço, não alcanço. Queria ter o dom de ser mais eu em uma folha de papel do que em forma humana, assim seria mais fácil tocar as pessoas e me distingüir de tudo que penso ser.

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Quebrando o gelo: as palavras podem salvar o mundo.

abril 13, 2008

Eu me pergunto que sentimento é esse que me leva ao fundo do poço e de uma hora pra outra me faz achar que tudo mudou. Dizem que é amor.
Então vejo que fui enganada. Ensinaram-me que o amor é a única arma capaz de salvar o mundo. Então por que é ele que me destrói? Não me refiro as minhas paixões! Nenhuma delas foi digna o suficiente de tamanha devoção. Trata-se das minhas decepções. O alguém que me ensinou o conceito  do verbo “amar” mudou e hoje me mostrou o que é odiar. Explicaram-me que complexo era definir todas as sensações que o amor reunia, vejo que difícil mesmo é sentir todas elas e entender que de fato ele existe! Poucas pessoas têm esse privilégio. Complicado pra mim é falar sobre isso.. talvez nem mostre isso a ninguém, ou guarde esse texto por meses à fio. O problema é que eu não encontrei quem abraçar, então me refugiei nas palavras…
Ah, as palavras… a maior arma de todas! Maior até mesmo que o amor. Pergunto-me, como o amor poderá salvar o mundo se nem todos o sentem? As palavras não, elas são levadas a todos e têm um poder ímpar: machuca como nenhuma pistola ou instrumento de tortura. Ela sim é a minha defesa e meu ataque. Porém é tambem meu ponto fraco.. e dessa vez o ferimento foi grave! No coração! Logo ele, que é cercado por gelo pra não ser apunhalado, ele que restrige todos que pensam entrar no meu pensamento, que bloqueia qualquer tentativa de dominação. Nunca foi atingido pelo amor, porém a dose forte foi misturada com palavras. O mais próximo que cheguei disto foi há 10 anos quando perdi alguém.
Analisando melhor, a dor é semelhante. Estou enterrando alguém dentro de mim. Pode até ser menos doloroso já que dentro de mim é impossível sentir saudades. Não pensei que o amor machucasse, não não. O que machucou foram as palavras usadas pelo ser amado. Preciso me livrar disto. Mesmo quando esse amor nasceu comigo, mesmo quando um dia cheguei a pensar que eu e ele fóssemos indissociáveis. O que mudou foi o poder que ele tinha, o amor. Fazia-me, hoje me acaba.
Agora a minha cabeça dói enquanto minha alma grita. Minhas mãos formigam, as lágrimas demonstram o peso que não consigo carregar só. Acho que foi porque pela primeira vez pedi pra alguém sair da minha vida, sinceramente e dolorosamente. Pela primeira vez estou sozinha… sem o amor.

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O sentido que já não faz mais sentido.

abril 6, 2008

Eu poderia dizer em que momento me apaixonei por você
e quais palavras me fizeram ter certeza do que eu sentia.
Descreveria o brilho do meu olhar quando foi de encontro ao teu,
a temperatura da minha mão quando tocou a tua,
o meu suspiro ao sentir tua respiração,
a freqüência que regia nossos corações simultâneamente,
a urgência e a intensidade do abraço do nosso reencotro.

Mesmo assim, nada o comoveria o bastante pra fazer voltar.
Tudo que sobrou foram as noites de saudade,
as lembranças repentinas de como tudo deveria ter sido e não foi.
Ficaram apenas os pensamentos e as associações que me remetem a você,
a sensação de quente-frio que não passa
e as lágrimas que já caem costumeiramente na tua ausência.

Não sei mais disfarçar a minha insegurança ao te encontrar,
nem a minha tristeza em saber que teu coração não acelera ao me ver.
Não consigo maquear a dor que sinto ao perceber que não te faço mais feliz,
que não sou capaz de te encantar mais com uma palavra doce ou um carinho.
Já não sou eu quem te rouba um beijo ou uma demonstração de felicidade
e também não sou aquela que você lembra ao vê o céu.
Passei a não habitar mais teus sonhos,
nem faço mais parte do teu futuro.

Insisto apenas em dizer que todos os esforços não são em vão,
que tudo que eu falo é só o reflexo do está no meu coração,
que cada palavra soa apenas como uma tentativa ineficaz de dizer te amo.
Hoje eu temo não encontrar mais um peito em que minha cabeça de encaixe,
um beijo que me deixe de ponta de pé,
um braço que saiba envolver os meu ombros
e um sorriso que me faça esquecer.

(Texto velho, mas feito por mim.)